ÓLEO - SINTÉTICO OU MINERAL?

Muitos motociclistas vivem ou já viveram este dilema. Iniciante ou não, no momento de trocar o óleo de sua motocicleta, a dúvida aparece frente a uma série de produtos oferecidos pelo mercado junto com suas propagandas, aliado a uma série de informações divergentes de muitas pessoas que trabalham no ramo e, muitas vezes, não se preocuparam em analisar esta situação de forma conveniente.Tentando ajudar o motociclista com dúvidas sobre este assunto, necessário se faz, antes de apresentar a minha "dica", falar um pouco da função do óleo e suas diferenças.
O ÓLEO

Um motor possui inúmeras peças móveis que, durante o seu funcionamento, se atritam entre si gerando desgastes e aquecimento dentro do motor. Visando diminuir este atrito controlando parte do aquecimento e evitando que o motor venha a fundir "engripar" as peças móveis são banhadas por ele, enquanto funcionam. Além de ser uma substância lubrificante por sua natureza possui agregado e ele uma série de substâncias, chamadas de aditivos, que visam colaborar na tarefa da lubrificação inibindo uma série de outros problemas maléficos que acontecem dentro do motor. Vale lembrar que o tempo de troca de óleo em motocicletas não deve seguir o mesmo padrão dos automóveis pelo fato dos motores de motocicletas funcionarem, na maioria das vezes, em rotações superiores aos motores de automóveis e de terem, ainda, a função de lubrificar a caixa de marchas.Cada óleo possui percentuais de "aditivos" de diversas características que visam, basicamente, inibir a formação da "borra" provocada pela combustão; diminuição da espuma provocada por sua agitação aumentando a eficiência da lubrificação; dispersantes que separaram a borra formada evitando que as mesmas venham a entupir passagens por dentro dos canais onde o óleo deverá fluir; controlar e estabelecer a viscosidade dentro de padrões aceitáveis. Uma gama de aditivos ainda é implementado ao óleo visando eliminar a possibilidade de congelamento e antioxidação, entre outros.Chegamos à conclusão, portanto, que a qualidade do óleo está direta e intimamente ligada ao bom funcionamento do motor garantindo sua longevidade, tal e qual a qualidade da gasolina que é utilizada no motor, seu plano de manutenção e, principalmente, a forma com que a motocicleta é utilizada.Todo óleo possui um padrão reconhecido mundialmente pela nomenclatura API seguido por duas letras após a letra S. Ou Seja: SF, SG, SH, SJ. Quanto mais próxima do final do alfabeto for a última letra da classificação melhor será o padrão do óleo em função de seu "mix" de aditivos.Além da classificação das letras existe a classificação SAE que representa a capacidade viscosa do óleo. Quanto maior o número "SAE" mais grosso será o óleo. Assim temos óleos SAE 30 e 40, que são utilizados em motores. Os óleos SAE 90 e 140, mais grossos, que tem aplicações em caixas de marcha e em diferenciais.Apenas como observação, a maioria das motocicletas possuem sua caixa de marchas integradas ao motor. Assim, o mesmo óleo que lubrifica o motor lubrifica a caixa de marchas. Algumas motos que possuem cardã usam, neste sistema, um óleo mais grosso e específico para este fim. As BMW, possuem a caixa de marchas com óleo separado. Assim, há o óleo do motor, o da caixa e do cardã em compartimentos diferentes sendo os utilizados no (cardã e caixa), óleos de mesma especificação.Os óleos modernos de hoje em dia, além dos aditivos acima mencionados, possuem a capacidade de serem "multiviscosos" ou seja: sua viscosidade é variável de acordo com a temperatura. Se adaptam a vários tipos de clima como é o caso do Brasil. Como exemplo, temos hoje óleos SAE 15-40; SAE 15-50. Eles se tornam mais viscosos ou menos viscosos com o aumento ou diminuição da temperatura dando ao motor a melhor condição possível de lubrificação no momento.
SINTÉTICO OU MINERAL
O óleo mineral, como o seu nome já diz, é oriundo da prospecção do petróleo. Através do refino, o óleo base mineral, é aditivado para a formação dos óleos disponíveis. O óleo sintético tem sua base "sintetizada" ou seja, feita em laboratórios, sem a necessidade de utilizar a base mineral. A grande diferença entre estes dois óleos é a capacidade da manutenção da estabilidade do produto por mais tempo. Teoricamente, o óleo sintético mantém a sua estabilidade por mais tempo do que o óleo mineral. Mas, existe nesta relação algo que deve ser levado em conta: a nossa gasolina não é de qualidade como a de outros países. Há uma mistura com o álcool para elevar, forçadamente, a sua octanagem. Mesmo a gasolina especial não é completamente pura. Dentro da câmera de combustão há a lubrificação do óleo. Esta gasolina, de baixa qualidade, gera o aparecimento de substâncias que fazem com que a estabilidade conseguida com o óleo sintético não seja tão efetiva, diminuindo a capacidade de lubrificação. O óleo sintético, embora de grande qualidade, tem algumas características lubrificantes que, as vezes, podem ser prejudiciais a determinados motores de motocicletas reduzindo a vida útil do sistema de embreagem. Alguns fabricantes nacionais não aconselham o uso do óleo sintético em seus motores.Há ainda o óleo semi-sintético. Estes óleos possuem em sua base um combinado de sintético e mineral atingindo um meio termo na composição do lubrificante entre os dois tipos de compostos.
RELAÇÃO CUSTO X BENEFÍCIO
Se levarmos em conta o preço e a redução da vida útil do sintético provocada pelos efeitos de nossa gasolina chegaremos a uma durabilidade bem inferior a esperada. Não julgo um procedimento muito saudável para o motor manter um óleo por quilometragem superior entre oito e 10 mil quilômetros, sendo o óleo sintético ou não.
A meu ver, um óleo sintético duraria duas vezes mais do que um mineral. Valeria a pena pagar o preço de cada litro do sintético? Vai depender do dono da motocicleta. Se vai viajar muito sem qualquer possibilidade de trocatalvez seja interessante mas, em situações normais, deve-se colocar na ponta do lápis.
A TROCA
Eu considero a troca do óleo, dentro de todos os custos que temos com a motocicleta desde a aquisição, quase desprezível. Assim, abreviar uma troca, pode trazer bons frutos mais tarde. Eu me programo para trocar o óleo de minha motocicleta com três mil quilômetros. Claro que, se for necessário, posso estender até 4.000 quilômetros sem prejuízo do motor. Se for um óleo sintético, faria entre 6.000 a 8.000 quilômetros. Assim, todos as informações colocadas daqui para frente serão relativas aos óleos minerais. No caso do sintético, poderão ter a sua troca em tempo dobrado e, ainda, no caso de semi-sintético, multiplica-se por 1,5.
O óleo sintético, sem dúvida, é um produto de maior qualidade. Entretanto, deve-se levar em conta a época da troca. Até uma determinada quilometragem, não muito grande, o óleo mineral não ficará aquém do sintético. Faça uma relação de custo x benefício antes de iniciar o programa de lubrificação de sua motocicleta.
DICAS
1 - Opte, desde o início da vida de sua motocicleta, por um tipo de óleo (mineral ou sintético) e, se possível, pela característica do que era utilizado pelo antigo dono. Na dúvida, consulte o manual de sua motocicleta e siga a especificação recomendada.
2 - Se sua opção for por intervalos de troca curtos, você poderá optar por trocar o filtro de óleo, se sua motocicleta o tiver, pulando uma troca de óleo. Uma troca sim ou outra não. Caso contrário, acima de 5.000 quilômetros, troque SEMPRE o filtro de óleo.
3 - Jamais misture óleo sintético com mineral. Há algumas marcas de óleo sintético que não se misturam ao mineral. Usando óleo mineral, em uma emergência, será mais fácil encontrar um óleo mineral para completar o nível. Logo que possível, faça a troca completa. Caso contrário, tenha sempre uma embalagem da marca utilizada na última troca para completar, conforme o consumo que é normal dentro dos padrões especificados pelo fabricante.
5 - Use óleo de qualidade superior, acima de API-SJ e multiviscoso já que estamos em um país tropical sujeito a mudanças de temperatura bruscas.
6 - Não perca tempo discutindo com alguém sobre a viscosidade do óleo existente em sua motocicleta. Colocá-lo nos dedos e "testar a viscosidade", olhar a cor (depois de alguns quilômetros o óleo tende a escurecer) não são, absolutamente, procedimentos corretos. Utilize o critério da quilometragem e tempo no carter. Um óleo no carter, depois de seis meses, convém ser trocado independente da quilometragem.
7 - Compre o filtro correto para a sua motocicleta. Unte a junta de borracha com óleo antes de atarracar o filtro. Depois da borracha encostar-se ao batente do carter, gire ¼ de volta, com a mão. NÃO USE A CHAVE. Verifique se o bujão possui a arruela vedadora e faça a substituição.
8 - Utilize SEMPRE as ferramentas corretas para fazer a troca.
9 - Deixe o óleo escorrer, depois de abrir o bujão e retirar o filtro o maior tempo possível. Aqueça o motor, pelo menos 5 minutos ANTES de soltar o bujão e retirar o filtro. Depois de escorrer todo o óleo, coloque a moto na posição vertical ou abaixe e levante a traseira para escorrer o "restinho" de óleo existente.
10 - Não coloque óleo demais. Mantenha o nível apenas no máximo da marcação. Óleo em excesso prejudica uma série de coisas em seu motor como a vida dos retentores.
Texto escrito por: Ricardo Morgado