Os motores se dividem basicamente em dois ciclos, o 2 e 4
tempos. Mas qual a diferença? A diferença esta na construção
e no método de funcionamento. A construção dos motores 2T
(apesar de hoje os motores 2T estão cada dia mais
tecnológicos, como válvulas de exaustão) são muito mais
simples do que os motores 4T, porém a preparação dos motores
2T é muito mais complexa do que os 4T.
Motores 2 Tempos
Características: Os motores 2T possuem apenas anél(is) de
compressão, alguns motores 2T utilizam dois anéis no pistão,
outros utilizam um anél. Os motores que utilizam dois anéis,
são motores de maior compressão, que trabalha em giro alto,
mas permite você ter um ganho bom também em baixa. Já os
motores com apenas um anel, é destinada para uso de alto
giro, e só alcança sua potência em uma margem extrema, e a
baixa saindo bem prejudicada. Antigamente, o grande problema
do motor 2T era a falta de potência em baixos regimes, hoje
isso foi corrigido através de uma válvula de escape. Como o
bem conhecido YPVS da Yamaha, essa válvula muda o diagrama da
janela de escape, em baixo giro a válvula fica fechada,
disponibilizando um bom nível de potência em baixa, em alta,
quando a queima esta excessiva e compressão alta, a válvula
se abre, e o motor não perde potência. Sem essa válvula, os
engenheiros teriam que escolher entre: "baixa", "média"
e "alto" regime. Como no caso das DT180, que a diagramação
foi projetada para potência em baixo a médio regime, e por
isso tem uma potência reduzida(claro que não é só por isso),
já as Agrales(16.5, 27.5, 30.0) foram projetadas para
potência em alto regime, desenvolvem bastante potência, mas
só depois dos 7.000 rpm. Já as motos 2T com válvula, corrigem
esse problema, elas podem ter potência em todos os regimes
(mas a válvula não faz milagre, apenas corrige), porém não é
100% perfeita, pois um motor 2T de baixa cilindrada mesmo com
válvula, não terá um bom nível de potência em baixa se o
mesmo foi projetado para alta. Como ocorre nas CR125, YZ125,
já as 250, possuem alta potência em baixa e em alta. A
lubrificação dos motores 2T é efetuada apenas com o óleo
misturado à gasolina, portanto, o virabrequim gira seco,
então a mistura de óleo efetuada deve ser rigorosamente
inspecionada, de acordo com óleo 2T você utiliza uma mistura
(se referindo a mistura prévia, no caso do autolub, é difícil
de calcular), pode ser de 0,5% no caso dos óleos de altíssima
perfomance, destinado a motos de competições, 1%, 1,5%, 2%,
3%, e vai aumentando de acordo com o poder de lubrificação doóleo e o trabalho que o motor faz. É aconselhado o uso de óleo sintético, pois a queima é mais homogênea, carboniza
menos, polui menos e lubrifica melhor.
A preparação dos motores 2T são de extrema complexidade, é
praticamente impossível garantir um ganho de potência exato
na preparação de um motor 2T. Isso por que a diagramação das
janelas é algo muito delicado e "incerto", se você abrir
muito a janela de admissão, poderá ter uma boa queima, com
uma combustão perfeita e um bom ganho de potência, mas e a
exaustão, terá de equalizar, pois a queima resultante precisa
sair com velocidade da câmara, se não, todo o trabalho
realizado será jogado fora, e então começa os cálculos e
muita paciência. Por isso, a preparação de motores 2T através
de janelas, só engenheiros mecânicos e ótimos preparadores
sabem equalizar. Mas os motores 2T não ganham potência apenas
através das janelas, na carburação também, na taxa de
compressão, ignição, exaustão. Então é aconselhável "aspirar"
um motor 2T ao invés de prepara-lo internamente, pois é mais
seguro e rende uns cavalinhos a mais sem complicações.
Dicas: Os motores 2T como descrito acima possuem lubrificação
apenas com o óleo misturado a gasolina, e essa mistura pode
ser feita previamente, adicionando o óleo diretamente ao
tanque ou por um sistema automático de lubrificação(AUTOLUB),
que envia óleo de acordo com a aceleração. O autolub
disponibiliza maior conforto para motos que precisam ser
abastecidas com frequência, no caso de uso urbano, porém, no
uso off-road é desaconselhado, pois o autolub não possui uma
vedação perfeita e possibilita a entrada de terras e
eventuais sujeiras que entopem a bomba e bloqueando o envio
de óleo para o carburador, consequêntemente, o motor fica sem
lubrificação e trava. Motores 2T também tem uma
característica acentuada, que é carbonização, depois de um
longo tempo de uso, o motor 2T forma cinzas e carvão na
cabeça do pistão, cabeçote, velas(as mesmas duram bem menos),
curva de escape e ponteira. Por isso é necessário que você
faça a descarbonização da sua moto depois desse longo período
de uso, lembrando que com o uso de óleo sintético, a
carbonização é bem inferior ao uso do óleo mineral.
Motors 4 tempos
Características: os motores 4 tempos possuem 3 anéis no
pistão, o anel de compressão(responsável por vedar a câmara
de combustão, sem deixar fugar), o anel de raspagem (retira o
execesso de óleo no cilindro, e devolve ao cárter) e o anel
de óleo(anel responsável por segurar o óleo, não deixa-lo
passar até a câmara de combustão). Possuem também válvulas de
admissão e exaustão, a válvula de admissão permite a mistura
(ar+gasolina) entrar na câmara de combustão, e a válvula de
exaustão libera os gases resultantes da queima da mistura,
que é direcionado ao escape.
Preparação: a preparação de motores 4T são normalmente certas
em relação a ganho de potência, é possível pré determinar uma
margem bem próxima ao ganho de potência com a preparação
planejada. Nos motores 4T a forma ideal para se ganhar
potência é fazer usinagem nos orifícios das válvulas,
aumentar a caburação, rebaixar o cabeçote(esse procedimento
deve ter atenção redobrada, se preciso, aumente a cavidade
das entradas das válvulas no pistão), liberar totalmente a
exaustão(escape livre), e se necessário, troque seu sistema
de ignição por um mais potente. Em motos atuais, como XR400,
DR350, e etc, já possuem kitt para preparação, que aumenta a
capacidade cúbica do motor. Nessas motos são aconselhado usar
esses kitt ao invés de fazer uma preparação, pois o
investimento seria praticamente o mesmo, porém o kit possui
peças específicas, que dão maior durabilidade ao conjunto.
Dicas: antes de efetuar a compra de uma moto 4T usada,
certifique-se se a mesma possui peças originais no motor e se
não esta dando fuga de óleo. Bem, para verificar as peças
internas do motor, é caro e normalmente é preciso levar no
mecânico, quando o proprietário não esta apto para abrir o
motor. Mas mesmo assim vale a pena, por exemplo, em uma
XLX250, a mão de obra para abrir o motor varia e torno de 150
a 250 reais dependendo da oficina, se a moto custa 1.800
reais por exemplo, você estaria investindo um pouco mais,
porém, com segurança. Já a questão de fuga do óleo, é fácil e
não custa nada verificar. Basta você acionar o motor da moto,
se ela estiver muito tempo parada, é normal que saia um pouco
de fumaça visível no começo, mas depois de uns 5 minutos de
funcionamento, essa fumaça deve desaparecer, se não
desaparecer significa que o motor esta com bastante uso e
necessitando de retífica, pois o anel de óleo não esta
conseguindo segurar o óleo, e provalvemente o anel de
compressão também não esta vedando com eficiência. Mesmo
assim há o risco de você estar sendo enganado, se você ainda
desconfia de procedência da moto, e ela parece estar
funcionando bem, sem fumaça, é aconselhado que você faça uma
troca de óleo antes da compra. Se o óleo que sair do cárter
estiver grosso, de coloração estranha, e até misturado com
casca de bananas e outras coisas para engrossar o óleo,
significa que esse motor esta no fim. Pois normalmente
proprietários de má índole, costumam fazer isso. É uma forma
de não deixar o óleo passar para a câmara de combustão mesmo
com as paredes do clindro e anéis gastos. Pois com o óleo
grosso, o anel de óleo acaba segurando, o que da impressão do
motor não estar ruim, no ponto de queimar óleo. Mas com
certeza a compressão esta afetada, pois o anel de compressão
estará gasto junto com as paredes do cilindro, o que ocasiona
uma fuga enorme de pressão. E se você quiser certificar que a
moto esta realmente com o motor ruim, basta colocar óleo
novo, e se realmente estiver ruim, a moto começará a queimaróleo. Por isso, fique sempre de olho!
4 TEMPOS SUBSTITUTO DOS 2 TEMPOS?
Um dos principais fatores para extinção dos motores 2 tempos
são as pressões por parte dos ambientalistas, pois os
fumacentos dois tempos emitem um alto teor de gases nocivos
ao meio ambiente. Sem duvida esse é um fator que fortalece
ainda mais os "ecológicos" motores 4 tempos. Alem disso
devemos analisar que 90% do mercado motociclistico em geral é
composto por motores 4 tempos e as competições ( que no nosso
caso é o que nos interessa!!!) são a vitrine das marcas e
campo de prova para o teste de novas tecnologias. Quanto mais
estreita for a ligação do consumidor entre as motos de
competições e as motos de rua melhor e caso ambas as motos
tenham motores 4 tempos maior será a identificação do
consumidor. Então porque as fábricas irão gastar verdadeiras
fortunas em tecnologia que não será repassada as motos de
rua? Também existe um aliado fortíssimo que faz a balança
pender ainda mais para o lado das 4 tempos: O esporte e a
industria Automobilística. Vamos tomar como exemplo as duas
gigantes Japonesas no mercado de motos Honda e Yamaha. A
Honda teve sua participação gloriosa na Formula 1 com a sua
parceria com a McLaren, e ate hoje se mantém nas duas
categorias top do automobilismo Formula 1 e Formula Cart
Mundial. Os seus carros também vem obtendo grande sucesso no
mercado mundial, sempre obtendo numeros consideraveis de
vendas em todos os mercados . A Yamaha teve uma breve
passagem pela Formula 1 junto com a equipes Zakspeed,
Brabaham, Tyrrel e Arrows. Os resultados não foram gloriosos
como os obtidos pela Honda, mas segundo o alto escalão da
gigante Japonesa eles atingiram seus objetivos : aumentar a
motivação dos Engenheiros e obter novas tecnologias. Alem da
Formula 1 a Yamaha desenvolveu motores para Formula 2 e
Formula 3000. Também trabalhou com a Toyota, essa parceiria
começou em 1965 para o desenvolvimento de um motor seis
cilindros para equipar o Toyota 2000 GT sports car e com a
Ford, um exemplo foi o esportivo Taurus SHO. Agora pensem
esse gasto todo seria a toa? As maiores revoluções técnicasse
deram nos motores 4 tempos, sistema de injeção eletrônica ,
comandos de válvula e coletor de admissão com geometria
variável cabeçote multivalvulas ( tecnologia na qual a Yamahaé especialista sendo a criadora do conceito genesis, onde
chegou a se testar cabeçotes com 7 válvulas por cilindro!)
válvulas eletrônicas no sistema de exaustão (exup, htev
etc..) sistema de indução de ar forçado RAM Air. Algumas
dessas tecnologias foram criadas nas motos 4 tempos, estão ou
estarão em breve nesse tipo de moto, sendo algumas delas
inviaveis em motores dois tempos. Mas não é tudo maravilha
nas 4 tempos elas tem um maior custo, em todos os sentidos
produção , reparos, preparação. Alem disso esses novos motores vão dar algumas dores de cabeça nos preparadores
acostumados com o "zumbidores"dois tempos.
PILOTAGEM
Ambos os motores apresentam características de pilotagem
diferentes e se tratando das motos especificas para o
motocross alguns pilotos podem se adaptar mais ou menos com
as características de cada motor. A diferença mais marcante é
o freio motor, no motocross isso ira mudar principalmente nos
saltos onde o piloto devera permanecer mais tempo acelerando
durante a entrada do salto antes de aliviar a aceleração.
Esse efeito será maior quanto maior for a taxa de compressão
do motor, ou seja maior a taxa maior o efeito de freio motor.
Os 4 tempos tem se mostrado mais "torcudos" o que lhe da mais
vantagem em largadas mas requerem mais atenção em terrenos de
baixa aderência. Alem disso os 4 tempos tem mostrado uma
curva de potência mais linear, entregando a potência de
maneira mais gradual ao contrario dos "explosivos" dois
tempos. Os dois tempos ainda apresentam um menor peso em
relação as 4 tempos o que sem duvida é uma vantagem. Alguns
pilotos acham as 2 tempos mais eficientes em pistas travadas,
mas essa característica também é influenciada pela parte
ciclistíca da moto. No Freestyle o uncio piloto a participar
de competições com uma 4 tempos foi Kenny Bartram que durante
um tempo utilizou uma Yamaha YZ 250 F, mas algum tempo depois
voltou as 2 tempo. Inclusive alguns pilotos de FMX são
declaradamente inimigos das 4 tempos. É difícil prever se as
2 tempos entraram em extinção, mas é certo que cada vez mais
a 4 tempos evoluirão, e caso isso aconteça não será de uma
hora para outra pois as "fumacentas zumbidoras" 2 tempos tem
uma legião de fãs que ainda as manterão em atividade por
muito tempo.